Irmãos Batista teriam comprado US$ 1 bi dias antes da divulgação das delações

A denúncia sobre os negócios com câmbio e ações da JBS feitos pelos irmãos Joesley e Wesley Batista dias antes da divulgação de suas delações envolvendo o presidente Michel Temer chegou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e as investigaões podem concretizar mais um escândalo no Brasil. 

Segundo apurações do jornal Valor Econômico, a CVM teria tomado conhecimento de uma movimentação do grupo de empresas dos irmãos da aquisição de uma posição de mais de US$ 1 bilhão no mercado local, com a operação feita, a pedido da JBS, com vários corretores.

Ao mesmo tempo, o portal Brazil Journal revelou ainda que, em abril, um mês após as gravações que comprometem Temer e mais políticos terem sido feitas, os Batista teriam vendido quase 32 milhões de ações de sua companhia em um negócio de R$ 328 milhões. E neste caso, os maiores compradores destas ações foram acionistas da própria JBS, incluindo o BNDES. 

Segundo especialistas, a situação é bem grave e o importante agora é que as investigações aconteçam efetivamente para que se comprovem as irregularidades. Confirmadas, podem ser configurados crime contra o mercado financeiro, manipulação de informações, e os irmãos poderiam até mesmo ser presos.   

As operações afinal, teriam sido realizadas com informações privilegiadas, uma vez que ocorreram logo na sequência das ações coordenadas de Joesley e Wesley com a Polícia Federal e a Justiça em um acordo de delação premiada, que resultou nas gravações apresentadas pelo jornal O Globo nesta quarta (17). Os áudios foram divulgados nesta quinta-feira (18). 

Para Jason Vieira, economista chefe da Infinity Asset, as informações ainda estão no campo da especulação e é, portanto, necessário esperar a evolução das investigações. "Temos que aguardar os próximos passos de todas as autoridades, além da CVM", explica. Enquanto isso, o mercado segue observando os demais desdobramentos dos áudios e das medidas que serão tomadas pelo próprio presidente - que já disse que não renuncia em um pronunciamento feito nesta quinta - e da justiça diante dessas informações. 

Os efeitos colaterais, ao menos por enquanto, são limitados, como explica Roberto Troster, economista da Integral Trust. "Tudo terá que ser investigado e provado, o processo pode virar criminal", diz. Até lá, porém, os impactos na economia nacional deverão ser fracos ou nem ocorrer. Inclusive, para o economista, a reação do mercado nesta quinta - com a maior alta do dólar frente ao real em mais de 18 anos e a despencada do Ibovespa - teria sido "exagerada", acima do real abalo que essas informações podem trazer ao governo federal daqui em diante. 

Nesta sexta-feira, 19 de maio, o mercado já começa a corrigir esses efeitos, com uma alta de mais de 2% no Ibovespa - o qual volta a atuar acima dos 63 mil pontos - ao mesmo tempo em que se observa uma queda do dólar de mais de 2%, com a moeda americana voltando a testar patamares abaixo dos R$ 3,30. Entre as commodities, que caminham ao contrário do dólar e que ontem despencaram nas bolsas americanas, o dia também é de retomada. 

Perto de 12h (horário de Brasília), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago subiam mais de 9 pontos - recuperando-se das mais de 20 no pregão anterior - e o café, em Nova York, quase 300 pontos, depois de terminar a quinta com um recuo de quase 500.

No Estadão:

CVM abre processo para investigar notícias sobre JBS após delações

ATENÇÃO: A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo para investigar o frigorífico JBS, pivô das delações envolvendo o presidente Michel Temer, que vieram à tona na noite da última quarta-feira, 17. Ontem, após a divulgação das delações, foram publicadas notícias na imprensa de que o frigorífico teria se beneficiado por saber previamente que o escândalo estouraria e que teria reflexos nas ações da empresa e no câmbio.

No site da CVM, consta apenas a informação de abertura de dois processos nos últimos dois dias - um na quarta-feira, 17, e outro ontem, 18. A autarquia não informa o motivo da abertura dos processos. Por meio da sua assessoria de imprensa, comunicou apenas que divulgará detalhes das investigações em breve, em nota oficial.

Ao todo, a CVM abriu seis processos em nome da JBS neste ano, dois deles nesta semana. (Fernanda Nunes, do Rio de Janeiro)
Com a compra de dólares antes da divulgação das denúncias contra Temer, a empresa ganhou mais do que o suficiente para pagar as multas pelo envolvimento em ações de corrupção, como revelou ontem o Broadcast.

Veja mais informações no site do Estadão

Ganho da JBS com compra de dólares é mais que suficiente para pagar multa

O ganho da JBS com a compra de dólares na última quarta-feira, 17, no mercado é mais que suficiente para a companhia quitar a multa fechada no âmbito do acordo de leniência. Se a cifra foi de US$ 750 milhões e há quem diga que chegou a US$ 1 bilhão somente ontem, o resultado foi de US$ 170 milhões, considerando a alta da moeda americana nesta quinta-feira, 18.

Leia a íntegra da Coluna do Broad no site doEstadão

CVM investiga operações de câmbio e ações de executivos da JBS, diz Valor

SÃO PAULO (Reuters) - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu uma investigação sobre os negócios de câmbio e ações feitos por executivos da JBS após a divulgação de conversa gravada com o presidente Michel Temer como parte de um acordo de delação premiada, segundo o jornal Valor Econômico na quinta-feira.

Os depoimentos dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que são presidente do conselho e presidente-executivo da JBS, puxaram a bolsa brasileira e o real para baixo na quinta-feira, em meio a temores de que as revelações poderiam derrubar Temer.

O presidente negou irregularidades e se recusou a renunciar em pronunciamento.

Sem identificar as fontes, o Valor disse que a CVM tomou conhecimento de que o grupo de empresas dos irmãos Batista teria adquirido uma posição superior a 1 bilhão de dólares no mercado local de câmbio horas antes do vazamento da notícia sobre o acordo de delação.

A operação teria sido feita através de vários corretores, a pedido da JBS, de acordo com o jornal.

CVM e JBS não responderam a pedidos de comentário da Reuters fora do horário comercial.

Na quinta-feira, o dólar subiu 8,15 por cento ante o real e encostou na marca de 3,40 reais, registrando a maior alta desde o início de 1999.

A CVM ainda investiga a venda de ações da companhia por parte dos acionistas controladores, segundo a reportagem.

A Reuters noticiou que o grupo de controle da JBS vendeu 329 milhões de reais em ações da empresa em abril, depois que os irmãos Batista começaram a negociar secretamente um acordo de delação premiada.

(Por Tatiana Bautzer)

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Na Época: JBS mantinha conta na Suíça com R$ 300 milhões em propina do PT

A JBS depositou cerca de R$ 300 milhões em propina devida ao PT numa conta secreta controlada por Joesley Batista na Suíça, cuja empresa de fachada, titular oficial da conta, era sediada no Panamá. O saldo dessa conta de propina era gerado aos poucos, em razão de vantagens ilegais obtidas pela JBS junto ao BNDES, sempre na gestão do PT – especialmente nos anos em que Luciano Coutinho presidia o banco. Era uma conta-corrente de propina dividida, nas planilhas da JBS, entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. As informações foram encaminhadas por Joesley à Procuradoria-Geral da República.

Segundo disse Joesley, o dinheiro era sacado, no Brasil, em nome de Lula e por ordem de Lula, às vezes por meio de Guido Mantega – e também em campanhas do PT em 2010 e 2014. Os recursos eram entregues em espécie, depositados em contas de laranjas indicados pelo partido e pelo ex-presidente e, também, transferidos oficialmente para contas oficiais de campanhas. Parte expressiva desse bolo foi usada para comprar o apoio de partidos pequenos na campanha de Dilma em 2014.

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Fonte:https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/politica-economia/191967-cvm-investiga-operacoes-de-cambio-e-acoes-de-executivos-da-jbs-diz-valor.html#.WR8h0esrKzc